Psicopedagogia

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quarta-feira, 12 de setembro de 2012

Aluno com paralisia cerebral incluído na sala comum em parceria com Sala de Recursos Multifuncional S.R.M.

FORMAÇÃO CONTINUADA DE PROFESSORES  EM

TECNOLOGIAS DE INFORMAÇÃO E COMUNICAÇÃO ACESSÍVEIS

PLANO DE AÇÃO PEDAGÓGICA
 2012.



 Aluno com paralisia cerebral incluído na sala comum em parceria com Sala de Recursos Multifuncional S.R.M.


Ítalo. é um garoto de 11 anos de idade matriculado no Ensino Fundamental II de uma escola pública municipal próxima à sua residência e enturmado com seus pares por faixa etária, no 6º ano matutino. Sua turma é composta por 34 alunos, muitos são colegas de classe desde o maternal. O aluno demonstra sempre sentimentos de satisfação através da expressão facial. Convive com seus pais e seu irmão caçula, Í. gosta de vídeo game, assistir filmes e jogos diversos no computador com sua família, especialmente com seu irmão. Na escola gosta de todas as disciplinas, exceto de história. No recreio, intervalo de aula ou aulas vagas fica sozinho ou com uma colega que mais gosta a R., observando os colegas brincarem.
Aos dois meses de idade seus pais observaram que Ítalo não segurava o pescoço e mantinha as mãos sempre fechadas. Percebendo estes aspectos, comparando-o com outros bebês de sua idade, os pais decidiram buscar subsídios c para que o fato fosse esclarecido. Assim, com três meses de vida, ele foi atendido na Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (APAE) e foram orientados a procurarem um fisioterapeuta, pois a criança teria dificuldades motoras. Por indicação, procuraram o hospital Sarah Kubitschek, distante 390 km da cidade onde reside, instituição onde se confirmou o diagnóstico de Paralisia Cerebral (PC).
Até os quatro anos era constante a sua internação por aproximadamente 30 dias neste mesmo hospital para acompanhamento e intervenções precoce. Agora ele freqüenta o hospital anualmente, para avaliação com a equipe multiprofissional com o objetivo de investigar e acompanhar o seu desenvolvimento físico, motor, psicológico e cognitivo. No primeiro semestre de 2011, Í. recebeu desta instituição o Programa de Comunicação Alternativa de denominado SKM/PCA para ser instalado no computador de sua casa e na sala de recursos multifuncional para que o mesmo escreva com a cabeça, visto que seus movimentos involuntários o impedem de usar às mãos com autonomia, e há um controle de cabeça do lado direito. A sua comunicação se dá por expressão facial, e esta não é precisa para todos, é somente para seus pais e familiares que convivem no dia-a-dia, no entanto, para os demais é complexa entendê-lo e atendê-lo com precisão as suas necessidades pessoais e escolares. Em alguns momentos demonstra irritabilidade e tristeza por não ser compreendido de imediato e com precisão.
Este é um grande desafio no seu cotidiano, considerando a diversidade e complexidade que se depara no contexto da comunicação. Como sua audição é perfeita, compreende tudo que é falado, o seu retorno é dado através de fichas, gestos de cabeça, expressão facial, sinalizando sim/não, o que não é suficiente, e em muitos momentos esta comunicação torna-se confusa.
Em 2003, fora matriculado em uma Escola de Educação Infantil da rede particular de ensino, iniciando assim o seu primeiro contato com o mundo externo, com o intuito de introduzi-lo com outras crianças para socializá-lo, nesta escola sempre permanecia uma cuidadora também particular contratada pelos pais do aluno, auxiliando-o.
Aos sete anos de idade continuou sua caminhada da escola, ingressando agora em uma escola pública municipal, onde os entraves começaram a surgir. Í. já não tinha mais cuidadora permanente, na hora do lanche sua mãe ia alimentá-lo, onde pôde perceber que no momento do recreio a professora se retirava com os alunos para lanchar e brincar no pátio, enquanto que ele era esquecido na sala de aula sozinho. Após este episódio seus pais solicitaram da direção sua transferência para uma outra classe, onde a professora seria sua mãe, (que também faz parte do quadro de professores deste município), o mesmo permaneceu no último semestre sem maiores problemas. Apesar de não ter apoio da escola e a mãe do aluno, não está segura quanto às estratégias de ensino que a rede propõe para a sala de aula, onde há alunos com deficiência. Nesse cenário a mãe de Í. sentia que sua formação docente para atuar em uma perspectiva inclusiva não era adequada para superar este desafio.
No ano seguinte a nova professora recusou tê-lo como aluno, inconformada com a situação de ter que lidar com uma criança com Necessidade Educacionais Especiais (NEE) em sala de aula. Continuou a batalha/desafio dos pais em buscar meios de esclarecer para a escola os direitos adquiridos pelos cidadãos em estarem na escola, no momento Í. precisaria ser aceito tratado com respeito, carinho e atenção como os demais alunos da classe. Compreendia-se por este episódio que a preocupação da professora citada era de não corresponder com as expectativas dos pais e necessidades do aluno, pois desconhecia as possibilidades de se trabalhar respeitando-se as diferenças no contexto escolar.
Após este impacto era a professora citada se retratou e o acolheu na classe, como ele sempre foi receptivo na escola no decorrer do qual ela propunha para a classe toda percebeu que era possível também realizar atividades com Í., apesar de terem como barreiras a comunicação e a coordenação motora involuntária. Tais características estão relacionadas ao fato de sua lesão está localizada nas áreas que modificam ou regulam o movimento, trato extrapiramidal, estes movimentos estando fora do controle os movimentos voluntários estão prejudicados. Esta condição é definida como PC com movimentos involuntários forma coreoatetósica ou distônica. (SILVA; CASTRO; BRANCO, 2006).
Vale ressalta ainda a existência de outras barreiras: falta de uma cuidadora educacional, falta de formação continuada e apoio pedagógico e ausência de respaldo oferecido por pessoas e órgãos competentes. No entanto, os professores apesar dessas dificuldades, perceberam que é possível atender as suas NEE, principalmente seus colegas, que estão sempre prontos a ajudá-lo. Sua mãe sempre foi solicita com a escola mantendo-a informada sobre a forma de comunicação que utiliza com ele em casa, e, como poderia ser o trabalho escolar mediante orientação da equipe multiprofissional do hospital Sarah Kubitschak.
Em 2010, o aluno foi matriculado no Atendimento Educacional Especializado (AEE), sendo atendido uma vez por semana, tendo como foco principal a aprendizagem da C.A.através de tecnologia assistiva de baixa e alta tecnologia. O maior desafio hoje é garantir a ampliação da comunicação, uma participação mais ativa em todas as atividades desenvolvidas na escola e desenvolvimento de sua aprendizagem nas nove disciplinas curriculares, conseguindo identificar, estabelecer e utilizar uma comunicação funcional com estes nove professores e colegas de classe, bem como uma participação mais ativa em todas as atividades desenvolvidas na escola.
A professora do AEE já identificou por meio de algumas atividades e estratégias que o mesmo possui saberes acadêmico através da Comunicação Alternativa (CA). A mesma conclui que Ítalo está no nível de aprendizagem adequado para sua série, apresentando aprendizagem significativa, demonstrando motivação e gosto pela escola. Entretanto, faz-se necessário garantir na escola um ensino que favoreça a ampliação de sua aprendizagem, sendo estimulado a participar ativamente das atividades, respeitando suas limitações, aproveitando e valorizando as suas potencialidades. Assim, o AEE deve complementar a formação do aluno possibilitando sua permanência na sala de aula comum, buscando sua autonomia em todas as aprendizagens através dos recursos da Tecnologia Assistida (TA) de acessibilidade como a informática acessível, e a comunicação alternativa, que neste caso será um suporte que complementará seu processo de comunicação, pois Ítalo não se comunica verbalmente e sua locomoção é comprometida. Cumpre mencionar que a Comunicação Aumentativa e Alternativa – CAA é uma das áreas da TA que atende pessoas sem fala ou escrita funcional ou em defasagem entre sua necessidade comunicativa e sua habilidade em falar e/ou escrever.  Busca, então, através da valorização de todas as formas expressivas do sujeito e da construção de recursos próprios desta metodologia, construir e ampliar sua vida de expressão e compreensão. Recursos como as pranchas de comunicação construídas com simbologia gráfica (desenhos representativos de idéias), letras ou palavras escritas, são utilizados pelo usuário da CAA para expressar seus questionamentos, desejos, sentimentos, e entendimentos. A alta tecnologia nos permite também a utilização de vocalizadores (prancha com produção de voz) ou do computador, com software específico, garantindo grande eficiência na função comunicativa. Dessa forma, o aluno com deficiência passa de uma situação de passividade para outra, a de ator ou de sujeito do seu processo de desenvolvimento. (BERSCH e SCHIRMER, 2005, p. 89) .Nesse contexto o aluno com deficiência física poderá desenvolver-se plenamente fazendo amigos, freqüentando e permanecendo na escola participando de forma ativa com sua comunidade.

Localização.

Sala de Recursos Multifuncional em parceria com escola comum ,Centro Educacional João de Souza Oliveira.






3. Tema.

Tecnologia Assistiva – TA  X  S.R. M   X  Sala Comum.

4. Objetivos.

·      Comunicar preferências e necessidades pessoais por meio de pranchas de CAA impressas e virtuais, em sala de aula;

·      Utilizar o computador com mouse de espera e teclado virtual para registro de atividades em sala de aula;

·      Utilizar material escolar ajustado a sua condição física na aula de educação artística;

·      Acessar com autonomia o ginásio de esporte e participar das atividades propostas na Educação Física.

·      Desenvolver estratégias de aprendizagem, centradas em um novo fazer pedagógico favorecendo a construção de conhecimento do aluno, subsidiando-o para que desenvolva o currículo e participe da vida escolar;

·      Identificar e utilizar com o educando o melhor recurso de Tecnologia Assistiva – TA, que atenda às suas necessidades de acordo com suas habilidades físicas e sensoriais atual, promovendo assim sua aprendizagem por meio da informática acessível;

·      Habilitar o aluno para o uso de “softwares” específicos de CAA, utilizando o computador como ferramenta de voz, a fim de proporcionar-lhes expressão comunicativa;

·      Ampliar o repertório comunicativo do educando, por meio das atividades curriculares e de vida diária;

5.Justificativa. .

Este plano destina-se ao atendimento do aluno Í na S.R.M. /Atendimento Educacional Especializado. Ele tem onze anos, matriculada no 6º ano do Ensino Fundamental, tem Deficiência Física-Paralisia Cerebral, com comprometimentos nos membros inferiores e superiores, apresenta dificuldades para segurar a cabeça, apresentando movimentos involuntários. Gosta da escola e demonstra interesse em participar das atividades tanto na escola quanto na S.R.M..  Mesmo sendo conduzida pelos colegas e ou cuidadora, o aluno tem acesso aos diferentes espaços escolares, tem boa relação com a turma, mas, há uma superproteção dos colegas para com ele, o que  é demonstrado por grande parte da turma. Quanto à aprendizagem, não há dúvida do potencial cognitivo e desenvolvimento acadêmico de Í. Quanto às barreiras de acessibilidade física e curricular, observa-se que a cadeira é inadequada EM ALGUNS MOMENTOS NA ESCOLA, há inadequação do mobiliário e falta de apoio de uma equipe multiprofissional para ajudar em alguns aspectos como - adequação postural e curricular. Assim, faz-se necessário a elaboração e execução deste plano de A.E. E, para buscar atender as necessidades educativas especiais de Í, proporcionando-lhe acessibilidade e o desenvolvimento da sua autonomia dentro das suas potencialidades e limitações físicas na escola comum e na vida diária.


6.Metodologia

Garantir o suprimento de material específico de Comunicação Aumentativa e Alternativa (CAA) (preencha cartões de comunicação, vocalizadores), que atendam a necessidade comunicativa do aluno no espaço escolar;

· Adaptar material pedagógico com a simbologia gráfica, bem como pranchas de comunicação temática, proporcionando a aproximação e o aprendizado do uso do recurso de comunicação e a ampliação do vocabulário de símbolos gráficos;

·        Confecção e uso de pranchas/cartões de comunicação temática e a partir dos conteúdos estudados em classe;

·        Resolução de atividades escolares utilizando-se o C.A;

·        Aprendizagem dos diversos recursos da TIC’s;

·        Pesquisa em sites no computador;

·        Produção escrita no computador a partir do Programa SKM/PCA cedido pelo hospital Sara Kubitschek; ·.
·        Jogos no computador associado à C.A. A;

·        Ensino do uso do C.A. A;

·        Ensino da usabilidade e das funcionalidades da informática acessível;

·        Adequação de material;

·        Estratégias para autonomia no ambiente escolar;

·        Potencializar suas aprendizagens utilizando recursos de acessibilidade;

·        Utilizar recursos de Tecnologia Assistiva de acordo com suas habilidades físicas e sensoriais por meio da informática acessível;


·        Compreender o uso de “softwares” específicos de CAA, utilizando o computador como ferramenta de voz, proporcionando a expressão comunicativa;

·        Ampliar o repertório comunicativo por meio das atividades curriculares e de vida diária.

7. Recursos.

·        Pranchas/Cartões de comunicação do tipo: temáticos, de conteúdos de letras, números, gravuras e palavras, alternativas para responder às questões objetivas na escola;

·        Adequação de materiais: Elaboração de formas/ modelos de tipos de atividades (flexibilização) que podem ser utilizados pelos professores na sala de aula comum em todas as áreas curriculares do 6º ano;

·   Conjunto de hardware e software:

1.      Para produção acessível: Broffice.org Writer e Microsoft Word. O XVKdb – Virtual Keybond e Teclado virtual do Windows;

2.      Câmera Mouse, apontador alternativo. É um programa que permite controlar com movimentos da cabeça, tomando como referência uma característica do rosto;

3.      Vocalizador com áreas de mensagens gravadas, especialmente idealizadas para tornar o computador acessível;

·   Softwares de reconhecimento de voz, scanner e mouse de cabeça; - Softwares especializados;

·   Cadeira de rodas adaptada para a escola comum e o AEE;

·   Câmara mouse – apontador alternativo;

·   Scanners para digitalização de livros;

7.1. Infra-estrutura de informática.

1.Computador e TV de 32 polegadas;
2. Fone;
3. Scanners;
4.Impressora;
5.Laptop.

7.2. Ferramentas computacionais

1.Teclado virtual - para dar autonomia na escrita de Í, devido o seu comprometimento motor sua escrita só será possível desta forma;

2.Vocalizador para ampliar sua comunicação auternativa;

3.Softwares especializados que o ajude nas atividades de vida diária e aca- dêmicas;



8. Cronograma:
  
Neste caso específico (o cronograma por atividade não faria sentido), pois este plano é anual, TENDO A NECESSIDADE DE A CADA TRIMESTRE REVER AS AÇÕES executadas.

Necessita-se de uma equipe multiprofissional onde terapeutas, psicólogos, psicopedagogos, fisioterapeutas, secretaria de saúde, assistência social e saúde, onde todos possam contribuir dentro de suas possibilidades para a melhoria do desempenho do educando no AEE e na escola comum. Assim algumas intervenções se fazem necessárias como:




Professor de Educação Física: Interlocução sobre as condições físicas do aluno e como pode ser a sua participação nas aulas, pois nos faltou formação específica sobre esta temática;

Professor de sala de aula: Encontro sistemático com os professores do 6º ano que este aluno se encontra, para informar sobre as formas de comunicação que pode ser utilizadas, e como deve/pode ser as atividades, considerando que os conteúdos e as aulas são iguais para toda a classe; - Discutir sobre as flexibilizações que podem ser realizadas para facilitar a aprendizagem e autonomia do aluno;

Colegas de turma: Conversa coletiva informando as potencialidades do colega e sua forma de comunicar-se;

Diretor escolar e Equipe pedagógica: Encontros sistemáticos a cerca das necessidades físicas, materiais e acadêmicas, buscando soluções junto com a comunidade escolar, ações que eliminem estas barreiras encontradas.

9. Acompanhamento dos Resultados



A avaliação será formativa observando e registrando os resultados a cada AEE realizado, repensando o que foi feito e replanejando, considerando os avanços e os entraves encontrados, estes podem ser de ordem pedagógica, administrativa e ou material. Montando assim, o portfólio do aluno a partir dos registros e atividades realizadas. Este plano será avaliado durante toda a sua execução mediante registro realizado ao final de cada atendimento, no qual será observada a eficiência no uso dos recursos, e estratégias utilizados para favorecer o desempenho do aluno na sala de aula e na sala de recursos, descrevendo o seu desempenho em todas as atividades propostas, assim como as possíveis necessidades de reestruturação do plano.   Caso os objetivos do Plano não tenham sido atingidos a cada trimestre, será considerado como ponto de reestruturação do plano, a pesquisa e implementação de novos recursos e estratégias a fim de atender as necessidades educacionais pré-estabelecidas para Í.

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