Estamos declaradamente em guerra,
incitados pela defesa de uma suposta ideologia político-partidária. Nas redes
sociais ou nas conversas de bar, eclodem comportamentos agressivos, insultos
morais e pessoais, homofobia, intolerância religiosa e política imperam nos
discursos mais sórdidos proferidos por candidatos e seus seguidores. Não há
limites, para os que consideram estar exercendo o direito constituído à
“liberdade de expressão”.
Recentemente, acometidos por um acesso
de ódio perante o resultado das urnas na disputa presidencial em 1° turno, em
um ato de desrespeito ao exercício da democracia, surge em falas
preconceituosas e arrogantes a ideia separatista de dividir o país
geograficamente. Sul e sudeste demonstraram (embora por um número irrisório de
pessoas, mas bem ancoradas pela mídia e por partidos políticos oportunistas),
todo o seu asco, por nós, nordestinos. Não é novidade que o nosso sotaque, os
nossos dialetos, os nossos traços culturais tão originais, e até a nossa
formação climática sempre foram motivo de chacota por um grupo de pessoas que
se julga elitista e, portanto, superior em todas as características destacadas
acima.
Foi o que bastou para consolidar ainda
mais a intolerância ao pensamento divergente. Se nunca existirá, de fato, a tal
separação geográfica aclamada por alguns, ainda assim estamos divididos. Fomos
fracionados ideologicamente nessa disputa eleitoral. Somos metade de um todo
egoísta e intelectualmente vaidoso. Somos inteligências reduzidas em busca da
comprovação de uma subverdade tendenciosa.
É claro que temos direito e somos
impulsionados a escolher o lado que, de acordo às nossas crenças e descrenças,
completa um quadro representativo das propostas que mais nos seduzem e com as
quais nos identificamos. Até aí, tudo certo. Um time não joga sozinho. Precisa
de um adversário para que a bola role. Com isso, torcidas se (in) formam.
Porém, diferentemente, das torcidas que lotam os estádios de futebol em nosso
país, e das quais temos retirado péssimos exemplos de conduta social e moral,
não podemos agir de forma passional, agressiva e discriminatória na defesa do
“time do coração”.
Por que omitir uma jogada suja, digna
de um cartão vermelho, só para não mudar de time ou simplesmente reconhecer
suas faltas? Em nome de uma fidelidade partidária injustificável, muitos
eleitores se tornam cúmplices de um sistema político corrompido e aviltante. Ao
invés de estabelecerem um diálogo contra-argumentativo em prol do bem comum e
da transformação das estruturas políticas ultrapassadas, preferem insultar,
ignorar fatos óbvios, amplamente divulgados pelos diversos meios de comunicação
existentes. E por falar em meios de comunicação, corroboro que muitos são
inescrupulosamente tendenciosos, em sua essência. Estão a serviço dos mesmos
interesses escusos de muitos políticos aos quais defendemos, inclusive. Porém,
sabemos que nenhum discurso é neutro. Ele é carregado de ideologias,
restando-nos identificar aquelas que estão a favor da opressão ou da libertação
das consciências. Tomando-se como base as duas concepções durkheimianas de consciência: a
coletiva e a individual.
Ademais, Huberto Eco diz, sabiamente,
que não se pode pensar em sociedade moderna sem os meios de comunicação de
massa. E atribui aos intelectuais e ao cidadão comum
(grifo meu) o papel e a
responsabilidade de fiscalizá-los. Entretanto, essa fiscalização imparcial
precisa alcançar também os nossos políticos. Não podemos sacralizá-los ao lhes
declarar nosso voto. Devemos sim, ficar vigilante, cobrar-lhes o cumprimento de
suas promessas eleitoreiras, que de forma tão atrativa nos seduzem em momento
oportuno.
Deveríamos, antes de nos posicionarmos
a favor ou contra Dilma Rousseff ou Aécio Neves, fazermos uma análise
tática da atuação de ambos nas partidas políticas desenvolvidas, depois de
passarmos por uma competente escola de juízes eleitorais, que nos preparassem
para usar o “apito” e marcar a falta exata a cada jogada desleal. Sem medo que
nosso time, ao perder pontos, fosse conduzido ao rebaixamento. Afinal, as
regras são claras.
Rosimayre Souza de Oliveira
Amiga, obrigada pela divulgação dos textos, pelo incentivo e presença constante em minha vida! Beijoss!!
ResponderExcluirVocê é uma amiga e profissional nota 10,obrigada por enriquecer nosso blog,com suas ideias espetacular.
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